Exílios 3 (GCSA 14)

by George Christian

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1.
auroras do exílio (sucessivas surras) andamos e escalamos formigueiros como se ainda estivéssemos insetos os passos voam tão distantes de tudo que, sem saber, revoam névoas inquietos não há virgens, cafetões ou prostitutas para arrastar um andar incerto e indeciso de tanto receber sucessivas surras dos ventos destroem-nos com dinheiro e lábias retorcidas de tanto engolirem subornos amanhecem-nos para estupros diários só para amedrontar rostos no lodo querem milhas e milhas do alcance de nossos olhos tratando-nos como tolos por estarmos cegos de tanto receber sucessivas surras dos ventos o sol cegou-nos a fé e a faca só para obtermos orgulho divino a chuva molhou-nos as cinzas dos tempos em que morríamos por estarmos vivos e a noite surtou-nos os sensos por medidas de segurança e o circo se fez com inúmeros palhaços ao receber sucessivas surras dos ventos ensangüentados somos iguais uns aos outros por sucessivas surras dos ventos dos deuses e dos demônios
2.
3.
Livre 08:57
livre entre as chuvas dos bairros sobre os muros as pichações dos aluviões a moita tem tom sépio traços grosseiros esperam os ônibus eles estão vivos o céu é igual em qualquer local o dia acabou e eu aqui estou tentando me esquecer livre bebe os sucos o vazio de todos os anúncios e todos os preços desde o berço não começo não cresço
4.
Regresso 04:06
Regresso Todos os anjos que se avizinharam às minhas sombras partiram em mim as idéias de regresso De nada adianta Aos sonâmbulos olhos serei insone Viverei casas de projetos sem passado Tossirei o não-dito Não pelo empoeirado Mas pelo amanhecido após a chuva de um jardim Cedo ou tarde
5.
memoria in albis sol a pino, sombras emergem em forma de galhos ressequidos. ao céu, talvez ao sol, se convergem tentando agarrar o que restam dos rostos caídos REFRÃO veem os ossos do ofício que vêm para o desperdício em vagas que lhes sugam vagas pálidos os olhos devotos em rostos rasgando-se em névoas, implorando primaveras brumas surgem urgindo-lhes, veem-se eles impostos pelas internas quimeras (REFRÃO) em eternos retornos, memoria in albis
6.
Marcapastros 10:11
marcapastros clarão de metais nos giros de (oce)anos no sangue das ostras naufrágio de estrelas sujeiras em suspenso incensos inquiridores (investígios: ) o que há de se pensar na arte no abraço dos fra(s)cos fatos enfados fados enfados (?) sortilégios incertos fardos desvent- suturas inflamáveis de vapores corcéis indomáveis physistéreis vertigens em cicatrizes a (re)pulsação trôpega não foi feita para as pistas, (acrofobias) muito menos para os caminhondulados crescimentos de quedas seus cabelos meus toques rupedestres na queima do ferruginoso óleo devotos direitos de escolhas na alquimia dos motivos que compõem o paraíso nos (adornos de) outros, danças dos pássaros-trovão e danações e perigos de IDEALÍSIOS ventos do retorno, porém sem a hipérbole dos prantos fantasmáticos e palhasnos e malabarisos e mortos-portos e o OCO arrebol que tinge a pele preciociosa não se insere papel-moenda... a senda na senha de socorros: solidariedades (ao) regenerar renegados (nas calamidades) degredos segredos suspensos centeios centelhas de sopros-vultos alheios gafanhotos na projeção de um lar nos campos concentrações há penas para o desabrigo resfôlego de chuvas o indiferente desconforto sem mantos nos antros mantras nos cantos manes nos santos cultivivos antes do Verbo devolverevolverevoltos (devolverevolverepousos)
7.
8.
sorriso do sul você roeu a mosca daquele almoço com o seu sorriso do sul. o asco com o qual ela foi mordida fez(-me) engolir o osso do sopro cardíaco de sangue azul e lábios lâmina de barbear. onde a ponta de sensatez atingiu aquele infarto? estamos em março e ainda haverá o ocaso farfalhando o ser de todo lugar (com o seu sorriso do sul) é certo que eu esteja assistindo risos, mas você, sorriso do sul, traumatiza os pés da caminhada de escaras de turismo paciente terminal de parecer nenhum silêncio que queima ostras tocha humana do despejo de largada... a farsa de seu espelho côncavo retroflexiona linguásas, paisagem forasteira, boiada solta... e o seu sorriso do sul? o nevoeiro encoraja os seus olhares, e você ri com seu sorriso do sul ao lembrar do canto das cigarras em naves da fertilidade; galáxias moveram a fecundação-tempo ao lançar satélites, contatos de densos sóis, madrugadas nuns lances de sinuca, eis o universo constelado ao alto e imerso e disperso até o negrume percevejo de lençóis em seus sorrisos do sul. e não há mais nada a fazer a não ser sorrir? o que mais espelha nos dentes do sul? talvez a vida da morte e a morte da vida ao se despedir e partir para outra jornada de cidadão comum em desemprego de fusos horários desfruto de espaços nos domínios uterinos ao léu maremotos despertos onde já não há mais céu cumprindo destinos de todo oráculo com seu sorriso do sul (aterrissado em lugar algum)

about

Also released by Bestiar Netlabel (Bestiar/Ref. 201): www.bestiar.org/george-christian-exilios-3/

Cosmic words by Jeff Gburek (transparent-abelard.blogspot.com.br/2018/03/exilios-volume-iii-new-world-music.html):

"Few years ago my friend George Christian Vilela Pereira asked me to contribute some guitar work for a track on a album that turned out to be part of a sprawling jungle, a trilogy of albums, called Exilios. Listening to the first few volumes and previews challenged me to formulate new terms, to grapple with what seems like the strangest mixture of everything I like, which somehow seems like it just shouldn't work because in the world where we live the ideologies that separate and stagnate music into pigeon-holed territories and long-exploited ore mines guarded by product-oriented, hungry, market-hungry, old speculators who don't like funny people and funny mixtures messing up the mind of the buying public by offering music that makes them think and feel too much. It is further haunted music in that it draws from world-wide sources, being a studio album, basic tracks recorded in Brazil and contributors from across the ponds added into the mix, so that there's a hint of virtual utopia here, a musical space that refers to many cultures all at once and yet expresses either all of them or none of them to my ears while still sounding between-the-worlds organic, like a dream that you should write down before forgetting it. There is a hallucinogenic quality or potential here, ayahuascan trips, like all the freaky megalopolises, Mexico City meets Teheran, but's it all a club in Calcutta called Igloo Canal, the studio walls grow edible fungus, drones carry in trays of jasmine tea and espresso. Nothing is connected in any obvious way but it's connected all the same. If you play it at a party, many of your friends will leave or call the police. Because it's that good. Because it's that evil. One moment its some psychedelic lost soul wandering the polluted beaches where sharks belly full of plastic and transistor schrapnel wind up stranded, another moment its all the Sun Ra freak out down at Slug's Saloon, the one's that happened after you left when Pharoah and Sharrock arrived late and they invited a harp made of tin and sparklers to plug directly into the amp and plunge Queens into darkness. And there's this voice singing in some language between languages, a microtonal language, swirling, turning itself inside out, a crooning that is aware crooning is too cute and draws venom from bitter blues people of the crepuscular zones, humored like Don Van Vliet, but also a little crusty like Cobain, a permanent voice in migration, like gypsy moths or swallows saying anywhere but back to Capistrano. It's kind of like all of this and yet kind of not because there are too many layers and this causes description to be an exhausting futility. It may take 100 years to get to the place where this music already exists in the universe we know and be landed upon as an inhabitable planet. I am happy I arrived when I did."

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Exílios 1: selonetlabel.bandcamp.com/album/ex-lios-1
Exílios 2: zpoluras.bandcamp.com/album/ex-lios-2

Also released by Bestiar Netlabel/ Também lançado pela Bestiar Netlabel: www.bestiar.org/george-christian-exilios-3/; archive.org/details/GeorgeChristianExilios3

Recorded between the years 2015 and 2017 in Salvador (BA): residences of George Christian and Breno Souza Ramos; Music School of UFBA (with Lucas de Gal, Nilton Belmonte and Igor Galindo); São Paulo (SP): residence of Rômulo Alexis; Porto Alegre (RS): residence of Leandro de los Santos and Estúdio ½ Boca (with Izaky Grimm and André de Castro); Modena (Italy): residence of Marco Lucchi; Poznan (Poland): residence of Jeff Gburek.

Special thanks to all mentioned participants, to Escola de Música da UFBA, to Sê-lo Netlabel (Edbrass Brasil and Heitor Dantas), to Zpoluras Archives (Paulo Chagas), to Bestiar Netlabel (Pep Frías), to Orlando Pinho, Davi Cerqueira, Weik Lemos, Juan Almeida and Jorge Sacramento.

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Gravado entre os anos de 2015 e 2017 em Salvador (BA): residências de George Christian e Breno Souza Ramos; Escola de Música da UFBA (com Lucas de Gal, Nilton Belmonte e Igor Galindo); São Paulo (SP): residência de Rômulo Alexis; Porto Alegre (RS): residência de Leandro de los Santos e Estúdio ½ Boca (com Izaky Grimm e André de Castro); Módena (Itália): residência de Marco Lucchi; Poznan (Polônia): residência de Jeff Gburek.

Agradecimentos especiais a todos os participantes mencionados, à Escola de Música da UFBA, ao Sê-lo Netlabel (Edbrass Brasil e Heitor Dantas), à Zpoluras Archives (Paulo Chagas), à Bestiar Netlabel (Pep Frías), a Orlando Pinho, Davi Cerqueira, Weik Lemos, Juan Almeida e Jorge Sacramento.

credits

released March 14, 2018

George Christian: vocals, flat-top guitar, electric guitar (tracks 01, 03, 07 and 08), electric bass (tracks 01, 03, 04, 07 and 08), piano (tracks 05, 06 and 07), electroacoustic composition, arrangements, conducting and accessories (track 07).

GUEST MUSICIANS
Igor Galindo: drums (tracks 01, 03, 05 e 08)
Izaky Grimm: drums (tracks 02 e 07)
Marco Lucchi: mellotron and theremin (track 03)
André de Castro: contralto flute and bansuri (track 04) and alto sax (tracks 06 and 07)
Nilton Belmonte: cello (tracks 05 and 08)
Jeff Gburek: e-bow guitar (track 05)
Leandro de los Santos: electric guitar and percussion (track 06)
Lucas de Gal: percussion (track 07)
Rômulo Alexis: trumpet (tracks 07 and 08)

Produced, composed and conceived by George Christian Vilela Pereira Recording engineering: Breno Souza Ramos
Recording and mixing: George Christian
Mastering: Paulo Dantas
Typeset “Iguais” (for the booklet): Pedro Bulcão (All rights reserved) Photos: Eduardo César
Design: George Christian

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George Christian: vocal, violão de aço, guitarra (faixas 01, 03, 07 e 08), baixo (faixas 01, 03, 04, 07 e 08), piano (faixas 05, 06 e 07), composição eletroacústica, arranjos, regência e acessórios (faixa 07).

CONVIDADOS
Igor Galindo: bateria (faixas 01, 03, 05 e 08)
Izaky Grimm: bateria (faixas 02 e 07)
Marco Lucchi: mellotron e theremin (faixa 03)
André de Castro: flauta contralto e bansuri (faixa 04) e sax alto (faixas 06 e 07)
Nilton Belmonte: violoncelo (faixas 05 e 08)
Jeff Gburek: guitarra e-bow (faixa 05)
Leandro de los Santos: guitarra e percussão (faixa 06)
Lucas de Gal: percussão (faixa 07)
Rômulo Alexis: trompete (faixas 07 e 08)

Produzido, composto e concebido por George Christian Vilela Pereira
Engenharia de som e gravação: Breno Souza Ramos
Gravação e mixagem: George Christian
Masterização: Paulo Dantas
Fonte “Iguais” (para o encarte): Pedro Bulcão (Todos os direitos reservados)
Fotos: Eduardo César
Design: George Christian

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George Christian / GC Sound Artifacts Salvador, Brazil

GC Sound Artifacts is a personal label created by the composer George Christian in 2010 and a household name for his productions. Since its inception, the label has been releasing physical versions or sending their releases by mail, whenever there's chance. Nowadays, GC Sound Artifacts aims to firm its place as a netlabel for the digital market. ... more

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